quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Ébrio



Nasci artista. Fui cantor. Ainda pequeno levaram-me para uma escola de canto. O meu nome, pouco a pouco, foi crescendo, crescendo, até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística tive vários amores. Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava a Tosca, uma jovem da primeira fila atirou-me uma flor. Essa jovem veio a ser mais tarde a minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta, e na carta um adeus. Não pude mais cantar. Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: a minha filha. Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar. Voltei novamente a cantar mas só por amor à minha filha. Eduquei-a, fez-se moça, bonita... E uma noite, quando eu cantava ainda mais uma vez A Força do Destino, Deus levou a minha filha para nunca mais voltar. Daí pra cá eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...

Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou

Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos
Me aconselham e aliviam o meu tormento

Já fui feliz e recebido com nobreza até
Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
E a cada passo um grande amigo que depunha fé
E nos parentes... confiava, sim!

E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
O falso lar que amava e que a chorar deixei
Cada parente, cada amigo, era um ladrão
Me abandonaram e roubaram o que amei

Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
Este ébrio triste e este triste coração

Quero somente que na campa em que eu repousar
Os ébrios loucos como eu venham depositar
Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
E suas lágrimas de dor ao peito amigo


Vicente Celestino

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sem me olhar

Aqui neste mesmo lugar
Neste mesmo lugar de nós dois
Jamais poderia pensar
Que voltasse sozinho depois

O mesmo garçom se aproxima
Parece que nada mudou
Porém
Qualquer coisa não rima
Com o tempo feliz que passou

Por uma ironia cruel
Alguém começou a cantar
O samba-canção de Noel Rosa
Que viu nosso amor começar

Só falta agora
A porta se abrir
E ela com outro chegar
E por mim passar
Sem me olhar

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Viva o instante



Se pudesse voltar atrás
Não sei se voltaria
Rever meus erros e tudo mais
Não sei se poderia

Não sei se poderia sonhar
Não sei se poderia realizar
Meus sonhos e tudo que pelo caminho ficou
São traços de uma breve história que o tempo apagou

Mas tudo tem um motivo e um porque
Para acontecer
Se voltasse perceberia
Que para me sentir vivo
Precisava de você

Voltar ao passado
Seria pesado
Erros cometidos
Desqualificados
Na vida se tem apenas uma chance
Viva o instante

domingo, 24 de novembro de 2013

Poema

Poema é a noite escura de amargura
Poema é a luz que brilha lá no céu
Poema é ter saudade de alguém
Que a gente quer e que não vem
Poema é o cantar de um passarinho
Que vive ao léu, perdeu seu ninho
É a esperança de encontrar
Poema é a solidão da madrugada
É o bêbado triste na calçada
Querendo a lua namorar

Opinião



O direito que temos sobre nós mesmos, sobre nossas atitudes, nossos pensamentos nosso corpo, é pequeno demais quando uma vida depende de nós, quando uma vida é gerada no ventre de uma mãe, quando um pai cogita abandonar o filho... Falta de responsabilidade e de consciência, o abandono e o aborto são crimes! Nada justifica privar alguém (mesmo que ainda muito pequeno para que pela ciência seja considerado vida) de seus direitos básicos. Não se progride tirando vidas, o progresso se dá pela valorização da mesma.

Que Deus os guie e proteja... aos fanfarrões, abortistas e ateus também, afinal apesar de não acreditarem Nele, Ele existe e os criou também.



Todos os direitos sobre a obra reservados a seu autor César Henrique Pereira.

Nunca digo "Até Amanhã"

Nunca digo "Até amanhã", quando me despeço de alguém que possivelmente reencontrarei no outro dia.

Não o faço pois o amanhã não existe, o amanhã não passa de uma expectativa criada pelo homem, o amanhã pertence a Deus.

Assim como estamos aqui hoje, ao lado de pessoas que amamos, fazendo coisas que gostamos e tendo experiências que nos fazem crescer, amanhã talvez possamos não estar.

Viva o hoje como se fosse seu ultimo dia, viva o agora como se fosse seu ultimo minuto, pois a mesa pode virar de um momento para o outro... Aproveite o dia ao lado dos que você ama.

Mesmo nas maiores dificuldades não podemos deixar de sorrir, precisamos ser FELIZES, tudo é um plano de Deus para seu crescimento. Ele não te da fardos que não possa carregar.

Sigamos o exemplo da Beata Chiara Luce, e sejamos fonte de alegria e evangelho vivo até o ultimo instante de nossas vidas, vivamos nossas vidas de modo santo e que não nos deixamos derrubar pelas dificuldades.

Como uma vez o poeta Horácio falou em um de seus poemas "Carpe Diem", frase em latim que significa algo do tipo "Aproveite o dia" ou "Viva o momento", solicitando que se evite a busca do prazer imediato e de que se evite também perder tempo com coisas inúteis.

Sejamos exemplos de vida cristã, de juventude consciente, e de humildade como Chiara Luce e procuremos sempre ver as coisas que acontecem em nossas vidas como vontade divina de Deus.

"Seja Feliz, por que eu sou." Beata Chiara Luce (Frase proferida por Chiara a sua mãe em seus últimos instantes de vida.)


Todos os direitos sobre a obra reservados a seu autor César Henrique Pereira.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meninas



Elas viviam tristes como seus pais
Uma casa antiga e um pé de flor na porta
E elas soltas nos laranjais
No quarto o pai bebendo um barriu
Na sala a mãe rolando com um vadio
E elas ao relento, se encolhendo
Com febre e frio

Um belo dia se cruzaram em um bar
Timidez guardada em renda e chita azul
E ao se olharem aceitaram um desafio
E de repente em um sinistro rodopio
A sós se tocaram e mergulharam em um profundo vazio

Viveram então para sempre mais a sós
Ficaram desde ai, mais amáveis
Uma casa antiga assim como museu
E as meninas soltas em um mundo só seu
Dentro de um amor extremamente feroz
Buscando apenas sua própria paz

E ao entardecer de suas vidas
Um pacto fatal se fez
Meigamente, inquieto coração 
Uma casa antiga, alegre e avarandada 
Guarda suas meninas
Que ao olharem sua vida inteira, juntaram-se
Para nunca mais voltar...

domingo, 10 de novembro de 2013

Recomeço do fim

Eu te esqueci muito tarde
E mesmo assim o tempo passou
Tal como folhas secas
Que o vento abandonou

Pano deixado as traças
Resina sem cor
Eu fui ficando sozinho
Pelos retalhos do caminho
Me desfigurando, mentindo e lamentando

E mantendo em segredo
Essa minha ilusão
Que me escapou entre os dedos
Não sei pra quais outras mãos

E eu me tornei exatamente o contrário
De tudo aquilo o que eu sei que sou
Mas pra que dramatizar não é?
O que passou passou...

Tudo superado
Mas profundamente mudado
O mesmo não sei se um dia serei
Feito a madeira, o machado inclinado
Eu por fora estou cicatrizando
E por dentro sangrando, afastado do medo

Mas sozinho, tal qual as folhas secas
Que não servem nem ao tempo
Nem a árvore
E abandonado pelo vento
Vou seguindo sem medo
Até o recomeço, o recomeço do fim...

domingo, 3 de novembro de 2013

Sua Volta



Quero ouvir a sua voz
E quero que o verso seja você
E quero, em cada vez que espero
Desesperar, se não te ver

É triste a solidão
É longe o não te achar
Que lindo é o seu perdão
Que festa é o seu voltar

Mas quero que você me fale
Que você me cale
Caso eu perguntar
Se o que a faz tão linda
Foi sua pressa de voltar

Levanta e vem correndo
Me abraça e sem sofrer
Me beija longamente
O quanto a solidão precisa para morrer

sábado, 26 de outubro de 2013

Paquistão

Tantas coisas a dizer
Mas nem tantas pra fazer
Nossa vida, um pedaço do Paquistão
Disse-me adeus sem motivo ou solução

Vai anjo querubim
Voando pela imensidão do céu sem fim
Imergindo suas asas a voar
Num céu de luz solar

Seu aroma inebria
Como um sonho bom
Ás vezes você pisa nas calçadas
Entrando madrugadas
Pensando em ser feliz

E quase sempre penso em voltar
E é só você passar
Me lembro de tudo
Que esqueci

Amanheceu
Olho ao longe e vejo como é bom
Ver o orvalho a cair
E escutar dos passáros o som
Espero você voltar
Pro Paquistão



Versão da música "Saigon" de Emílio Santiago.

domingo, 20 de outubro de 2013

Sorriso de criança



Deus criou o universo em sete dias
Fez o homem, fez a fé e o amor
Mas carece no seu peito uma vontade
De sentir feliz e ver o que criou
Vendo o homem destruir os sete mares
Conduzir o mundo em outra direção
O inverso de tudo que queria
Para nós o criador
Vendo o homem falindo
No que diz os mandamentos que criou

Mas ainda não morreu a esperança
Tenho fé que um dia tudo vai mudar
Eu confio no sorriso das crianças
E no novo mundo que elas vão criar
Novo mundo todo cheio de magia
Tão bonito como Deus imaginou
Sem inveja, sem ódio
Sem maldade, sem tristeza e sem rancor
Mundo lindo cheio de esperança
Que o sorriso da criança germinou

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Plural e Singular

Onde está o singular
Da nossa história
Eu penso até que é
História bem comum
Pois no começo era eu só
Só um, depois você chegou
E fez um par

Sendo um par
Deixou de ser no singular
Plural de dois é bom
De três não serve mais
E foi então que aprendi
A viver só
E agora eu vivo em paz
No singular
Bem longe dos plurais

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tardes de verão



Tardes silenciosas de verão
Quando o sol morre tristonho
Tardes em que toda a natureza
Veste-se de véu, e de sonho
Baixo os arvoredos murmurantes
Da brisa a soprar

Anjinho dos sonhos meus
Não sabes tu como é sublime contigo sonhar
Longe lá no horizonte calmo
As nuvens se incendeiam
Num incêndio de luz
Vibra e exalta minha alma

Na sensação que a seduz
Um suave sino toca
Chamando à prece a todos
Os que ainda sabem crer
Então eu sonho e creio
Beijar tua linda boca
Para acalmar o meu sofrer

domingo, 29 de setembro de 2013

Recordo

Recordo nosso amor e sinto a nostalgia
Das noites invernais nos corações
E o pensamento voa em louca fantasia
Fugindo a realidade em busca de ilusão

E eu sinto de repente em minha boca fria
A doce sensação de um beijo sensual
E o eco de teu nome em minha alma vazia
Parece a melodia de um hino angelical

E deixo-me embalar nesta canção dolente
Que fala de esperança e sorrindo me diz
Não chores o passado e vive do presente
Porque ainda te quero
Porque sempre te quis

E tudo se transforma repentinamente
Como um raio de luz batendo a escuridão
Minha alma que era triste canta alegremente
E o sol do meio dia te abrasa o coração

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ajuda-me SENHOR!


“Eu mesmo, quando fui ter convosco, irmãos, não foi com o prestígio da palavra ou da
sabedoria que vim anunciar-vos o mistério de Deus. Pois resolvi nada saber entre vós a
não ser Jesus Cristo e Jesus Crucificado. Por isso estive diante de vós fraco, receoso e
todo trêmulo; a minha palavra e a minha pregação nada tinham dos discursos persuasivos
da sabedoria, mas eram uma demostração feita pelo poder do Espírito, a fim de que a
vossa fé não se fundasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1 Coríntios
2,1-5).

Muito tarde, Senhor, para calares, Tu falaste demais. Muito tarde para te renderes, combateste demais. Além disso não foste sensato, avançaste demais, e isso tinha que acontecer, tinha de acontecer. Chamaste de raça de víboras a muita gente, disseste-lhe que o seu coração era um túmulo sombrio sob belas aparências.

Beijaste os leprosos que caíam de podres e a estrangeiros vulgares dirigiste a palavra abertamente, à luz do sol. Comeste à mesa de pecadores notórios e disseste que as meretrizes, errando pelas ruas, seriam as primeiras a entrar no paraíso. Estavas bem entre os pobres, os imundos, os aleijados.

Foste um péssimo cumpridor dos regulamentos religiosos atuais, pois quiseste até interpretar a Lei e reduzi-la a um mandamento só : AMAR. E agora eles vingam-se, tramaram contra Ti, apelaram para as autoridades. E elas vão tomar providências. SERÁS CRUCIFICADO.

Bem sei, Senhor, que se eu tentar viver mais ou menos desse modo serei condenado. Tenho medo, já me apontam o dedo. Alguns sorriem, outros fazem graça, uns tantos chocam-se, e alguns dos meus amigos não tardarão a trair-me. Tenho medo de parar no meio do caminho. Tenho medo de escutar a sabedoria dos homens que murmura: "É preciso avançar devagarinho, nem tudo se há-de tomar ao pé da letra, é bem melhor acomodar-se com o inimigo". E, no entanto, Senhor, sei que TU ÉS QUEM TEM RAZÃO.

Ajuda-me a lutar!
Ajuda-me a falar!
Ajuda-me a viver o teu evangelho!
Até ao fim!
Até a loucura!
A loucura da Cruz!

domingo, 22 de setembro de 2013

Um grito de liberdade: O Bêbado e a Equilibrista



Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil.
Meu Brasil...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...


Aldir Blanc e João Bosco

sábado, 21 de setembro de 2013

Apenas penso...



Hoje sozinho na claridade de meu quarto
Pelas luzes que não deixo serem apagadas
Percebo o tempo que perdi
Pensando que era uma coisa, mas era um nada

Se eu pudesse voltar no tempo simples
Onde minha maior alegria era olhar televisão
A realidade falsa que eu criei
Faria mais sentido

Mas não se pode voltar então fico assim
Rindo pra quatro cantos até alguém gostar de mim
Preso na realidade vazia que eu criei
Não sei porque penso assim
Apenas penso...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Águas de março



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração


Tom Jobim e Vinicius de Moraes

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Boneca de pilha

Certa vez uma mulher muito desejada
Conheceu um homem que lhe fez sorrir
João e Maria eram seus nomes
Que decidiram juntos a vida seguir

Maria tinha um sonho
E a vida fazia que sempre esperasse
Que João lhe pedi-se com todo o carinho
Que com ele casa-se

Um dia Maria ficou toda esperançosa
Era o aniversário daquela moça
João chegou a sorrir com um embrulho na mão
Uma boneca de pilha que ela fez rolar pela escada
E se quebrar no chão

João desesperado pelo impulso de Maria
Sem esperar aquilo correu com aflição
Tropeçou na escada e saiu a rolar
Até chegar sem vida ao seu final

Maria chorando desesperada
Com aflição desceu aquela escada
Mas nada podia fazer
A morte já tinha feito seu derradeiro mau

Pegou os pedaços daquela boneca
E viu que ela tinha duas alianças na mão
E quando apertou a boneca
Ouviu aquele derradeiro pedido
“Maria, quer casar comigo?”