quinta-feira, 17 de maio de 2012

Aos Teus Pés Deixo meu Coração


Ouvi dizer que perdida
Nos pantanais desta vida
Dás a todos o seu amor
Vi um sorriso de malícia
De quem me deu a notícia
Multiplicou minha dor
Mentira, gritou no peito
Meu coração contrafeito
Mentira não pode ser
E eu andei por toda a parte
Dentro da noite a buscar-te
Querendo ver para crer.

No cabaré que fulgia
Teu corpo se oferecia
Aos olhos da multidão
Soluçando com revolta
Por desejar tua volta
Entrei, também no leilão

Desceste muito, entretanto
Por teu amor desci tanto
E sabendo quem tu és
A minha alma te deseja
E o meu coração rasteja
Louco de amor, a teus pés!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Apelo




Ah, meu amor não vás embora
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção
Não, eu te peço, não te ausentes
Pois a dor que agora sentes,
Só se esquece no perdão


Ah, minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei
Eu te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que eu já paguei


Ah, minha amada, se soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu
Se tu soubesses num momento
Todo arrependimento
Como tudo entristeceu


Se tu soubesses como é triste
Perceber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus
Ah, meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus


De repente do riso fez-se o pranto,
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento,
Que dos olhos desfez a última chama,
E da paixão fez-se o pressentimento,
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente não mais que de repente,
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo, o distante,
Fez-se da vida uma aventura errante,
De repente não mais que de repente.


Vinicius de Moraes e Baden Powell

Paz do Meu Amor






Você é isso
Uma beleza imensa
Toda recompensa de um amor sem fim


Você é isso
Uma nuvem calma
No céu de minha alma
É ternura em mim


Você é isso
Estrela matutina
Luz que descortina um mundo encantador

Você é isso
Barco de ternura
Lágrima que é pura
Paz do meu Amor




Luiz Vieira

Paz do Desconhecido


Você é mais linda
Que a luz que ilumina
A cidade luz
Você é mais linda
Que qualquer outra mulher
Pois me seduz


Você, com esse jeitinho assim
Sem pedir nada pra mim
Tudo consegue
Com sua voz suave e alegre
A vida se torna mais bela
Ao teu lado, nenhuma felicidade supera


Você, paz do desconhecido
Me deixa surpreendido
Com o amor que temos nós
Que eu pobre vagabundo
Jogado por este mundo
Fez de você seu algoz


Você por fim
Faz de mim
Alegria suprema
Que ao me tocar
Mostra em seu olhar
A coragem de amar

terça-feira, 15 de maio de 2012

Você Não Morre Mais


Você não morre mais
Falei agora mesmo de você
O que destino faz
Porque é que a gente
Nunca mais se vê, porque


Você não morre mais
Ficou eterna no meu coração
Você não morre mais
Como um castigo
Praga ou maldição


Você não morre mais
Falei agora de você, de nós
Ainda dói de mais
A velha fisga
Deste seus anzóis


Você não morre mais
Só morre aquele
Que amou os dois
Te olho uma vez mais
E guardo tudo pra chorar depois


Quanto que eu queria
Te esquecer um dia só
Enxugar meu rosto
E não lhe dar o gosto
De me ver tão só


Mas a vida passa
Vou virando caçador
Sem matar a fera
Que me dilacera
Este louco amor

Deixa Estar

Deixa estar,
Essa saudade um dia vai passar
E minha vida vai continuar
Bem distante de você
Você vai ver


Deixa estar
Cedo ou tarde vai me procurar
Ao perceber que ninguém vai te amar
Tanto quanto eu te amei
E me entreguei


Deixa estar
O show da vida continua
E sem essa saudade sua
O cenário vai mudar


Não vai haver a mesma casa,
A mesma rua
Recordação que me destrua
Ou possa me fazer voltar


Faz-me Rir


Faz-me rir
Quando diz apaixonada
Que na sua vida não há mais nada
Eu, nada mais
Como num sonho que trás
Felicidade e amor
Mesmo sem sentir
Nada por mim


Faz-me rir
Rir para não chorar de dor
Pois quando dizes “é meu único amor”
Seus olhos falam o que a boca não diz
Que a meu lado és atriz
E que na rua achou um outro infeliz


Faz-me rir
Permaneço como um barco a deriva no mar
Sem um cais para encostar
E você ainda diz me amar
Coisa que de sua boca não pode sair
Porque um novo amor lhe prendeu
E seu amor infelizmente não sou mais eu


Faz-me rir
No inicio admito, você me amou
Mas o tempo foi correndo
E você foi me esquecendo
O que era nosso infelizmente terminou


Não pense que não sei que o seu amor acabou
A vida é assim, é dura porque ninguém ensaiou
Mas enquanto levo a vida a sorrir
Vendo você me trair
Tudo que sinto é que ao invés de amor
Você faz-me rir

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Queimei


Queimei
Lembranças futeis
Sentimentos inuteis
Que me levam a você
Porque?


Queimei
A recordação presente
Coisas que a gente
Sempre faz questão de não ter
Porque?


Porque jogaste meu amor no chão
Deixou tudo na escuridão
Me fazendo chorar
Me fazendo sofrer
Porque?


Porque mesmo sem querer
Nessas palavras simples me faz lembrar
De tudo que eu quero esquecer
Queimei tudo pois o fogo corroi, mas ele não pode corroer
A saudade e o amor cruciante
Que amarguram meu viver