domingo, 16 de junho de 2013

Loucura da Saudade

Saudade palavra rica
Que martiriza e fica
Dentro de um coração
Que a felicidade morta
Que a saudade conforta
Trazida de uma paixão

Saudade eu tenho que alguém
Uma saudade que vem
De uma distância sem fim
Será que ela também
Na falta de um outro alguém
Sente saudades
De mim

Eu vivo sempre pensando
Meus olhos vivem chorando
Não tenho felicidade
Estou morrendo aos poucos
E o que me deixa mais louco
É a maldita saudade

terça-feira, 11 de junho de 2013

A Rosa



O vento passou pela rosa
Chamou a rosa de meu bem
Mas o destino do vento é correr
É viver
Sem gostar de ninguém

A rosa porém não sabia
O vento jamais regressou
Ao ver morrer a esperança
A rosa sentida se despetalou

Disse uma abelha dourada
Que viu a cena de dor
Viu quando a rosa chorando
Rolou pelo chão e morreu de amor

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Rugas



Se eu for pensar muito na vida
Morro cedo, amor
Meu peito é forte
Nele tenho acumulado tanta dor
As rugas fizeram residência no meu rosto
Não choro pra ninguém
Me ver sofrer de desgosto

Eu que sempre soube
Esconder a minha mágoa
Nunca ninguém me viu
Com os olhos rasos d'água
Finjo-me alegre
Pro meu pranto ninguém ver
Feliz aquele que sabe sofrer

Nelson Cavaquinho

sábado, 1 de junho de 2013

Morte, Realidade e Tempo



O que significa a morte? A morte é a passagem para a eternidade ou apenas deixar de existir e apodrecer em um túmulo do cemitério?

Criamos a imagem de imortalidade para nos satisfazer? Paz eterna para quem nos fez bem e punição sem fim aos injustos, isso tudo não é apenas egoísmo para pararmos de sofrer?
Preferimos acreditar em um céu e num inferno para não pensar que quem nós amamos está apenas apodrecendo, assim elas não perdem seu nome.

Mas sem querer, ou por querer, esse pensamento faz cairmos em uma difícil, mas real, realidade. Essa realidade é que a pessoa acaba morrendo três vezes: a primeira é quando o coração para de bater, a segunda é que a nesse contentamento de céu e inferno paramos de falar seus nomes* e a terceira e mais trágica é que o tempo apaga tudo, muitas vezes até seus nomes* de nossas memórias, nem cemitérios preservam seus nomes*.

Isso tudo significa que a vida é uma oportunidade única, especialmente para demonstrar afeto para com alguém antes de sua partida, pois nossa memória é como a água, está em constante fluxo até a nascente da vida secar. O tempo tudo apaga.

O tempo apaga sofrimento.
O tempo apaga dor.
O tempo apaga nomes*.
Mas o tempo só não apaga o tempo.

*Nomes: podem ser ditos como os significados das pessoas, suas ações, sua personalidade, tudo será refletido em seu nome e lembrado através de seu nome.

Autoria de Bruno Sprenger e Marcelo Zanotti.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Direitos Exclusivos

Quem é você pra ter
Direitos exclusivos
Querendo ser feliz
No meio de infelizes
Quem brinca com a dor
É sempre o mais doido
Não quero teu amor
Você que não fez amigos

Quem é você pra vir
Zombar de alguém vencido
Mostrando seu perfil
Coberto em cicatrizes
Quem brinca com o mal
É sempre o mais ferido
Assuma o seu lugar
Ou siga o seu caminho

Eu dificilmente
Sonho acordado
Bebo as aflições
Na mesma taça de alegrias
Eu ultimamente ando ocupado
Até pra brincar
De esconde-esconde com a vida

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Entre o chão e as estrelas existe o mar



As vezes o ponto de partida
É o de despedida
Nunca ande sozinho
Poderá perder-se no caminho

Cuidado com a felicidade
Ela é amiga da saudade
Viva os segundos, o momento
E não se esqueça da realidade

Tudo que você precisa
É de um pouco de amor
As derrotas são vitórias
E você é um vencedor

Não esqueça o instante
As lembranças e o destino
Todo homem maduro hoje
Ontem foi apenas um menino

Faz parte sorrir
É normal chorar
Entre o chão e as estrelas
Existe o mar...

A velhinha de Westfália



Quem me dera um pouco de poesia, esta manhã, de simplicidade, ao menos para descrever a velhinha do Westfália! É uma velhinha dos seus setenta anos, que chega todos os dias ao Westfália (dez e meia, onze horas), e tudo daquele momento em diante começa a girar em torno dela. Tudo é para ela. Quem nunca antes a viu, chama o garçom e pergunta quem ela é. Saberá, então, que se trata de uma velhinha "de muito valor", professora de inglês, francês e alemão, mas "uma grande criadora de casos". 

Não é preciso perguntar de que espécie de casos, porque, um minuto depois, já a velhinha abre sua mala de James Bond, de onde retira, para começar, um copo de prata, em seguida, um guardanapo, com o qual começa a limpar o copo de prata, meticulosamente, por dentro e por fora. Volta à mala e sai lá de dentro com uma faca, um garfo e uma colher, também de prata. Por último o prato, a única peça que não é de prata. Enquanto asseia as "armas" com que vai comer, chama o garçom e manda que leve os talheres e a louça da casa. Um gesto soberbo de repulsa. 

O garçom (brasileiro) tenta dizer alguma coisa amável, mas ela repele, por considerar (tinha razão) a pronúncia defeituosa. E diz, em francês, que é uma pena aquele homem tentar dizer todo dia a mesma coisa e nunca acertar. Olha-nos e sorri, absolutamente certa de que seu espetáculo está agradando. Pede um filet e recomenda que seja mais bem do que malpassado. Recomenda pressa, enquanto bebe dois copos de água mineral. Vem o filet e ela, num resmungo, manda voltar, porque está cru. Vai o filet, volta o filet e ela o devolve mais uma vez alegando que está assado de mais. Vem um novo filet e ela resolve aceitar, mas, antes, faz com os ombros um protesto de resignação. 

Pela descrição, vocês irão supor que essa velhinha é insuportável. Uma chata. Mas não. É um encanto. Podia ser avó da Grace Kelly. Uma mulher que luta o tempo inteiro pelos seus gostos. Não negocia sua comodidade, seu conforto. Não confia nas louças e nos talheres daquele restaurante de aparência limpíssima. Paciência, traz de sua casa, lavados por ela, a louça, os talheres e o copo de prata. Um dia o garçom lhe dirá um palavrão? Não acredito. A velhinha tão bela e frágil por fora, magrinha como ela é, se a gente abrir, vai ver tem um homem dentro. Um homem solitário, que sabe o que quer e não cede "isso" de sua magnífica solidão. 

Antônio Maria, brasileiro. Profissão: esperança.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Esperança


Leva minha tristeza
Enche meu coração de esperança
Volta pra minha vida
Vem dizer outra vez que me ama
Me liga

Mata minha saudade
Chega junto do meu sentimento
Fala, eu não duvido
Que você ainda sonha comigo

Já cansei de entregar meu coração
Por nada
Se disserem que eu esqueci você
Piada
Olho grande de quem
Nunca teve ninguém
Que faz tudo pra separar
Não suporta um final feliz

Já passei muitas coisas por aí
Perdido
Se disserem que você me esqueceu
Nem ligo
Olho grande de quem
Nunca teve ninguém
Que faz tudo pra separar
Não suporta te ver feliz
Comigo

domingo, 12 de maio de 2013

Amor




O amor é lindo
E você é meu amor
Eu adoro ver-te sorrindo 
Oh! grande amor

Gosto de te ver sorrindo
Eu gosto do seu calor
Amo ver-te vindo
Oh! grande amor

Quero ficar só te amando
Você é meu amor
Não gosto de te ver sofrendo 
Não gosto de te ver com dor

Quero ver-te casando
Com seu amor
Pois só fico pensando
Em você, grande amor

Todos os direitos sobre a obra reservados a seu autor Patrick Silva.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O que um dia foi o meu coração




Hoje encontrei pela rua a vagar
Um alguém que um dia eu pude amar
No momento que a vi
Falar muitas coisas pensei
Mas na realidade, nada falei

Conforme ela ia se aproximando
De tudo que se passou fui me lembrando
Do frio de junho que cobria nossos corpos
Na época em que tudo se podia fazer
Mas ainda nada pude dizer

Poucos passos de distância
A velha infância na cabeça foi voltando
Quando pensávamos que o mundo
Era apenas um favo de mel
Na imensidão do céu

Quando finalmente nela esbarrei
Ia caminhando meio tonta
Um sorriso amarelo de meu rosto tomou conta
Quando eu ia falar de tudo que sentia

Ela nem deixou-me falar
Pela multidão sumiu a vagar
E no meio da multidão sumiu
Como um raio na escuridão
Sumiu aquele pedaço
Do que um dia foi o meu coração

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Codinome beija-flor





Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Cazuza

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Serafim e seus filhos




São três machos e uma fêmea
Por sinal Maria
Que com todos se parecia
Todos de olhar esperto
Para ver bem de perto
Quem de muito longe é que vinha

Filhos de dois juramento
Todos dois sangrentos
Em noite clarinha
O João Quebra Toco
Mané Quindim, Lourenço e Maria

Noite alta de silêncio e lua
Serafim o bom pastor de casa saía
Dos quatro meninos
Dois levavam rifles
Outros dois levavam fumo e farinha

Bandoleros de los campos verdes
Dom Quixotes de nuestro desierto

Serafim bom de corte
Mané, João, Lourenço e Maria

Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo
Era quem dos quatro tudo sabia
Resolveu deixar o bando e partir pra longe
Onde ninguém lhe conhecia
Serafim jurou vingança
Filho meu não dança, conforme a dança
E mataram Lourenço
Em noite alta de lua mansa

Todo mundo dessas redondezas
Conta que o tal Lourenço não deu sossego
Fez cair na vida sua irmã Maria
E os outros dois matou só de medo
Serafim depois quando viu o filho Lobisomem
Perdeu o juízo
E morreu sete vezes
Até abrir caminho para o paraíso


Ruy Maurity

terça-feira, 30 de abril de 2013

Saudade




Empresta-me teus olhos
Que é minha inspiração
Para eu compor
Uma linda canção

Empresta-me teu riso
Teu riso encantador
Eu mesmo irei cantar
Minha canção de amor

Empresta-me tua boca
Dizendo para mim
Apenas esperança
Que não terá mais fim

Depois pode seguir
Tua felicidade
Por que essa canção
Vai se chamar saudade

terça-feira, 23 de abril de 2013

Renúncia


Sim, disseste que chorei
Quando jurei no auge da dor
Buscar alento
No esquecimento
E o pensamento
Jamais envenenar com teu amor

E assim os pobres olhos meus
Sem os teus
Sentindo a inclemência
Da ausência
Dor que eu não previ
Tiveram a covardia
De chorar por ti

Foram-se os ais, mas nunca mais
Os versos meus que foram teus
Tu ouvirás
Hei de sofrer, todo o amargor
Mas o teu amor tudo farei
Para esquecer

Meu coração
Como um vulcão
Extinto a tempos
Na palides de tua mão
Saudades tem
Chora porém
Já não palpita por ninguém

Para o teu amor
Minha saudade é quase vã
Quem sabe se amanhã
Eu já não pense em ti
Diga que eu sofri
Se um dia alguém te perguntar
Se eu te soube amar
Diga que amando enlouqueci

Mas que essa loucura
O nome teu fez-me ouvir
Diga que a cantar
Qual doido fico eu
Desfiz um verso meu
Em flores rubras e depus
Aos pés de um grande amor
Junto a uma cruz

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não deu tempo de morrer



No meu sonho antigo
No meu caminhar
Quis ser teu abrigo,
Só quis te guardar
Sonhei mais que pude
E ainda vou sonhar
Até que o tempo mude
Esse meu jeito de te amar

Ah, foi no tempo em que o tempo passava
E a gente dizia que amava
E o amor era tão pra valer
Eu vim dizer que esse tempo passou de repente
E no sonho bonito da gente
A gente esqueceu de morrer

Deus, me perdoe
As juras de amor que eu não cumpri
Amei e não morri
Pois é, ninguém morreu
Ah, foi no tempo em que o tempo
Passava sem querer
Por isso não deu tempo de morrer

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Velho


Deixa o velho em paz
Com as suas histórias de um tempo bom
Quanto bem lhe faz
Murmurar memórias num mesmo tom

A sua cantiga, revive a vida
Que já se esvai
Uma velha amiga, outra velha intriga
E um dia a mais

Vão nascendo as rugas
Morrendo as fugas a as ilusões
Tateando as pregas
Se deixa entregue às recordações

Em seu dorso farto
Carrega o fardo de caracol
Mas espera atento
Que o céu cinzento lhe traga o sol

Ele sabe o mundo
O saber profundo de quem se vai
O que não faria
Pudesse um dia voltar atrás

Range o velho barco
Lamento amargo do que não fez
E o futuro espelha
Esse mesmo velho que são vocês

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ontem, hoje e sempre




Ontem
Quando eu chorava tu sorrias
Martirizando os meus dias
Me recusando o teu amor

Ontem
O teu orgulho exagerado
Foi que me fez ficar de lado
Como objeto sem valor

Hoje
Aconteceu em nossa vida
Uma subida e uma descida
A tua estrela se apagou

Sempre
Em nosso caso haverá um reverso
O teu sucesso é meu fracasso
O teu fracasso é meu sucesso
A própria vida que me ensinou

quarta-feira, 27 de março de 2013

Viola Enluarada




A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra
Mata o mundo, fere a terra
A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino
Louva a morte

Viola em noite enluarada
No sertão é como espada
Esperança de vingança

O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta
Capoeira

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira
Pra defendê-la, se levanta e grita: eu vou

Mão, violão, canção, espada e viola enluarada
Pelos campos e cidades
Porta bandeira, capoeira, desfilando vão cantando
Liberdade

Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sangrando




Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar


Gonzaguinha

domingo, 24 de março de 2013

Infeliz


Você passa por mim e não olha
Como uma coisa, como se não fosse ninguém
Com certeza você já esqueceu
Que em meus braços já chorou também

Eu não ligo para teus modos
Isso é próprio de quem é infeliz
Quer mostrar que não sente saudade
De um passado que foi tão feliz

Se eu quisesse eu podia dizer
Tudo, tudo que houve entre nós
Mas pra que destruir seu orgulho
Se eu até já esqueci tua voz?

De uma coisa, hoje eu tenho certeza
Foi o tempo que me confirmou
Que os melhores momentos da vida
Nos meus braços, você desfrutou