segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desafeto

Lá por onde eu estudo tem uma mulher tagarela
Não consegue ficar quieta tem a língua de tramela
Ela me chamou de feio, de gordo e de banguela
Mais viver bem eu consigo porque carrego um gosto comigo
Posso até ser feio e gordo, mais não sou dela

Bato com a língua nos dentes mais pra ela não dou bola
Pra essa mulher faladeira estou servindo de chacota
Gordo também tem mulher cada um tem sua cota
Por isso eu falo e sustento o que a gente faz tem um pagamento
E eu volto o troco conforme a nota

De ela me chamar de gordo pouco importo, eu não ligo
Com toda minha gordura consegui ter meu abrigo
Quem desdenha quer comprar, é verdade o que lhe digo
Ser gordo não é defeito, quem ama gosta de qualquer jeito
É um ditado certo que vem dos antigos

Deus me fez um homem gordo pra não desmentir a raça
Sou feio e vivendo assim gordura não me embaraça
Nem um bonito passou aonde esse feio passa
Sou gordo mais sou enjoado, vale muito mais um gordo engraçado
Do que mais de cem magrinho sem graça

domingo, 14 de dezembro de 2014

considerações de um amor

Nosso amor é o sol maior queimando o verão
Sobre a terra é o fogo ardente de uma paixão
Uma luz que nem mesmo o tempo vai apagar
É o sonho maior que um homem pode sonhar.

Com você sou um homem forte
Com você sou o sol
Com você vou ao céu.

Nosso amor horizonte livre
Onde Deus nos espera
Onde espera o perdão.

Quando tudo for cinza e o vento levar
E a fumaça nos olhos obrigar a chorar 
Quando tudo pra nós for simples recordação
Haverá sobre a terra uma chama de amor
Em mais um coração

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Fênix

Você
Que é como eu sou nesta vida
Uma alma desiludida
Que não crê mais em amor

Você
Deve ouvir o que eu lhe digo
Busquemos um novo abrigo
Nas ruinas da nossa dor

Façamos de dois corações Perdidos
De dois seres esquecidos
Um ideal triunfante
Há sonhos que nascem dos desafios
É nos cascalhos dos rios
Que a gente encontra o brilhante

Então lembremos Fênix
Que era encantada
E que das cinzas do nada
Sempre ressurgiu depois
Portanto das cinzas as desilusões
Que há em nossos corações
Ressucitemos nós dois

Escute-me são iguais nossas desditas
As nossas almas aflitas
Do mesmo destino atroz
Portanto mais um amor,menos um
Não causam transtorno algum
A quem sofreu como nós

domingo, 16 de novembro de 2014

Você precisa de mim

Não derramarei uma gota
Não darei a louca
De ir atrás de você
Não lembrarei o passado
Você pra mim é caso virado
Poeira de um distante caminho traçado

Não sentirei tua falta
Não sairei atrás do teu rastro
Você que deu este ultimato
Não venha atrás
Não volte mais
Me esqueça

Por fim lembre-se de uma coisa
E siga sua vida assim
Você lembra de todo o feito
Mas sabe que no fundo do seu peito
Eu não preciso de você
Você precisa de mim

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Somos ninguém

Foi assim
A lampada apagou
A vista escureceu
Um beijo então se deu
E veio a ânsia louca
Incontida do amor
E depois
Daquele beijo então
Foi tanto querer bem
Alguém dizendo a alguém
Meu bem, só meu bem

Nosso céu onde estrelas cantavam
De repente ficou mudo
Foi-se o encanto de tudo
Quem sou eu, quem é você
Foi assim
E só Deus sabe quem
Deixou de querer bem
Não somos mais alguém
O meu nome é ninguém
E o teu nome também

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Onde está?



As suas mãos, onde estão?
Onde está o seu carinho?
Onde está você?

Se eu pudesse buscar
Se eu soubesse aonde está
Seu amor, você

Um dia há de chegar
Quando, ainda não sei
Você vai procurar
Onde eu estiver
Sem amor, sem você

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Velha história de uma varanda



Na varanda da sacada
Clareando a noite nua
O olhar da minha amada
Refletia a luz da lua
E na noite enluarada
Não se ouvia quase nada
Só meus versos na rua

Pela sombra da ramada
No portão da moradia
O olhar da minha amada
Docemente reluzia
E com voz apaixonada
Eu declamava ao pé da escada
Uma triste dor amiga

Quando vinha a madrugada
No soprar de um vento frio
O olhar da minha amada
Retornava ao vazio
E eu seguia a caminhada
Mas deixava pela estrada
O meu resto de assovio

Hoje a lua na calçada
É só uma velha amiga
O olhar da minha amada
Já virou história antiga
Muita vida foi passada
Mas em noite enluarada
Ainda lembro da poesia sentida

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Conceitos Transversos

No picadeiro da vida
Está cheio de equilibrista
Mas sobre a corda estendida
Só não cai o bom artista

O tombo só enriquece
Quem cai com sua cruz
Da noite sempre floresce
Manhã dourada de luz

Lágrimas
Pingo d'água da fonte do sofrimento
Eu carrego tanta mágoa
Pra viver no esquecimento

A saudade é uma estrada
Entre o passado e presente
Por onde a vida passada
Volta a passar novamente

Se não fosse pedir tanto
Pra Deus pedia agora
Tire desse mundo o pranto
Chega de um mundo que chora

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Escolta de vagalumes



Voltando para minha terra eu renasci
Nos anos que fiquei distante acho que morri
Morri de saudade dos pais, irmãos e companheiros
E ao cair da tarde no velho terreiro
A gente cantava as mais lindas canções

Viola afinada e na voz dueto perfeito
Longe eu não cantava doía meu peito
Na cidade grande só tive ilusões

Ganhei dinheiro lá fora mas foi tudo em vão
A natureza é meu mundo, eu sou o sertão
Correr pelos campos floridos feito um menino
Esquecer as mágoas e os desatinos
Que a vida lá fora me proporcionou

Ouvir sabiá cantando e a juriti
E a felicidade de um bem-ti-vi
Que parece dizer meu amigo voltou

Mas voltei, mas voltei, eu voltei
E ao passar na porteira, a mata, o perfume
Eu fui escoltado pelos vagalumes
Pois era uma linda noite de luar

Mas chorei, mas chorei, eu chorei
Ao ver meus pais, meus irmãos, vindo ao meu encontro
A felicidade misturou meu pranto
Com o orvalho da noite deste meu lugar

Luis Garcia

terça-feira, 2 de setembro de 2014

E agora José?



E agora, José?
A festa acabou
A luz apagou
O povo sumiu
A noite esfriou
E agora, José?
E agora, você?
Você que é sem nome
Que zomba dos outros
Você que faz versos
Que ama, protesta?
E agora, José?

Está sem mulher
Está sem discurso
Está sem carinho
Já não pode beber
Já não pode fumar
Cuspir já não pode
A noite esfriou
O dia não veio
O bonde não veio
O riso não veio
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou
E agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra
Seu instante de febre
Sua gula e jejum
Sua biblioteca
Sua lavra de ouro
Seu terno de vidro
Sua incoerência
Seu ódio, e agora?

Com a chave na mão
Quer abrir a porta
Não existe porta
Quer morrer no mar
Mas o mar secou
Quer ir para Minas
Minas não há mais
José, e agora?

Se você gritasse
Se você gemesse
Se você tocasse
A valsa vienense
Se você dormisse
Se você cansasse
Se você morresse…
...mas você não morre
Você é duro, José!

Sozinho no escuro
Qual bicho-do-mato
Sem teogonia
Sem parede nua
Para se encostar
Sem cavalo preto
Que fuja a galope
Você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Senhorita Liberdade

Venha a menina tão mulher
Traga os sonhos que tiver
E me faça encontrar a paz

Faça de mim o que quiser
Afague os meus cabelos
Me faça crer
Que só você me fará feliz

Moça, vê se traz felicidade
Senhorita Liberdade
Meu amor de calça jeans

Abra a sua porta
Me convide para entrar
Pra falar só de nós dois
Respirar a sua voz

No seu peito me aquecer
E em você me abandonar
Me banhar no seu suor

Tenho medo de amanhecer
Tatear a cama, e não te ver
E você pensar que eu só brinquei

Senhorita Liberdade
Eu falo sério, e ela não sabe
Senhorita Liberdade
Vê se me traz felicidade

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Meu pobre blues



Na vida tudo passa
Dores, dessabores
Mas talvez tu não compreenda
Os meus divinos amores

Com elas me compreendo
Com elas me completo
Na insegurança de caminhos curvos
Que inflam o meu ego

Cansei dessa vida fútil
Tudo que mereço
Vejo no olho dessas mulheres
As quais eu desconheço

Mas enquanto me completo
Puxando o que de bom os outros tem
Vou cantando pelas ruas
História do meu bem

Caindo em cada esquina
Criando uma canção
Só assim posso concluir
Meu pobre blues então

terça-feira, 1 de julho de 2014

Desencanto

A rua escura o vento frio
Esta saudade este vazio
Esta vontade de chorar

Tua distância tão amiga
Esta ternura tão antiga
E o desencanto de esperar

Sim, eu não te amo porque quero
Se eu pudesse esqueceria
Vivo e vivo só porque te espero
Esta amargura, esta agonia

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Lembro

Lembro um olhar
Lembro um lugar
Teu vulto amado
Lembro um sorriso
E o paraíso
Que tive ao teu lado

Lembro a saudade
Que hoje invade
Os dias meus
Para o meu mal
Lembro, afinal
Um triste adeus

Sou agora
No mar desta vida
Um barco a vagar
Onde está o teu olhar
Onde está teu sorriso

E aquele lugar
Eu devia sorrir, eu devia
Para o meu padecer ocultar
Mas diante de tanta lembrança
Me ponho a chorar

terça-feira, 27 de maio de 2014

Observação

O que adianta eu te dar carinho
O que adianta eu te dar atenção
O que adianta eu ser romântico
O que adianta eu te dar meu coração

O que adianta eu ser compreensivo
O que adianta eu ser motivador 
O que adianta eu ser diferente
O que adianta eu te dar meu amor.

O que adianta eu ser companheiro
O que adianta eu ser divertido
O que adianta eu ser alegre
O que adianta eu ser descontraído

O que adianta eu ser legal
O que adianta eu ser criativo
O que adianta eu te surpreender
O que adianta eu ser imprevisível

O que adianta eu ser presente
O que adianta eu ser transparente
O que adianta eu te dar confiança
O que adianta eu te dar segurança

O que adianta eu querer te ver
O que adianta eu querer te olhar
O que adianta eu sentir tua falta
O que adianta eu querer te visitar

O que adianta eu ser tudo isso
Se você realmente nunca parou para me observar?

domingo, 25 de maio de 2014

Que seja

Tudo bem, pode ser isto uma despedida
Que não seja, mas se for, que seja
 Será triste, sim
Sentirei falta, sim 
Sentirei dor
Sim
Que seja

Todos aqueles momentos
Todos aqueles olhares
Todo aquele encantamento
Aos poucos se vai pelos ares.

Dizer que não valeu a pena, não há porque
Que valeu, e muito, sim
Veja
Do tempo que vivi com você
Se quer desistir disto, que seja



Todos os direitos sobre a obra reservados a seu autor Lucas Hanna

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Minha rua

Na minha rua
Tão humilde e tão discreta
Meu vizinho era poeta
E um outro era cantor
Na mesma rua
No outro lado da calçada
Tive uma namorada
Que foi meu primeiro amor

A minha rua não era iluminada
Simplesmente ornamentada
Por um simples lampião
Porque morava sobre o nosso telhado
Um luar tão prateado
Igual aquele nunca mais vi não

Agora iluminaram minha rua
Mandaram embora a lua
Alargaram-na também
A pobre não tem mais a singeleza
Não bastava essa tristeza
Me deixaram sem ninguém

Sozinho sem minha rua discreta
Sem o vizinho poeta
Sem luar, sem o cantor
Que vale a grandeza da avenida?
Se perdi tudo na vida
E o meu primeiro amor?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Estrada da vida

A vida da gente é um estrada comprida 
Tão cheia de curvas, bem como se vê 
Tantos sacrifícios, pra tanta subida 
Depois lá de cima precisa descer

Se sobe, se desce por muitas estradas
Se vê pela frente o que tem que passar 
E de vez em quando uma encruzilhada 
Atravessa a estrada pra gente penar

A estrada da vida que eu tenho é penosa 
Eu nela caminho pro fim encontrar 
Eu levo amargura de forma enganosa 
Caminho cantando só pra não chorar

Algum vai sorrindo e outros cantando 
Deus fez esta estrada pra gente passar 
E nela até hoje eu vou caminhando 
Até quando a morte venha me buscar

terça-feira, 6 de maio de 2014

Poema do Adeus

Então, eu fiz um bem
Dos males, que passei
Fiz do amor
Uma saudade de você

E nunca mais amei
Deixei nos olhos seus
Meu último olhar
E ao bem do amor eu disse adeus

Caminho o meu caminho
E, nos lugares que passei
As pedras no caminho
São o pranto que chorei

Escondo em minhas mãos
Carinhos que eram seus
E guardo sua voz
No poema do adeus

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Saudade

Saudade
Tudo acontece na vida
Tudo acontece a todos nós
Sempre uma dor, um ai de amor

E, de um infeliz, se ouve a voz
Sinto saudades, tristezas
Bem dentro de mim
Coisas passadas, já mortas
Que tiveram fim

Tenho meus olhos parados
Perdidos, distantes
Como se a vida lhe fora
O que era antes
Cartas, palavras, notícias

Não veem sequer
E a certeza me diz
Que ela era o meu bem

O que dói profundamente
É saber que felizmente
A vida é aquilo que a gente não quer